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segunda-feira, 19 de maio de 2014

Relato de Mãe/ Maína e Gael.



Eu que sempre disse que não queria ter filhos!
Na verdade, nunca fui aquela pessoa louca por crianças, bebês, etc. Nunca me chamaram atenção, se não pelos pontos trabalhosos, "chatos"... 

Ainda hoje não sou apaixonada por crianças, nem por adultos, nem por idosos. Gosto de certos indivíduos, independentemente da idade, por exemplo, mas, por categoria, meu amor é declarado apenas aos animais.

 Mas já falei que também nunca casaria? Que viveria pra mim, intensamente, aproveitando sozinha os meus dias em viagens, planejamentos individuais, trabalhando para bancar minhas realizações? Pois é. Essa fui eu.
Entrei numa relação deixando que ela acontecesse, sem prezar por formalidades. Claro, baseando-me nos meus interesses - apenas! Moramos juntos. Saí dessa relação também quando ela acabou. Sem intenção de, sem pensar o fim, sem planejamentos. Continuava sendo eu mesma, nenhuma mudança nos meus planos. 


Havia do outro lado, no entanto, a vontade de construir, de ser família, de ritualizar etapas. Eu não liguei. Mas tudo isso desencadeou um processo reflexivo. Gratidão eterna por quem foi tão brilhante, honesto, correto e dedicado vivendo sozinho um monte de intenção enquanto eu vivia pra mim apenas, egoisticamente, mas que me apresentou uma outra forma de vida em meus pensamentos mais íntimos.
Daí começaram os questionamentos: não quero mesmo? família, filho, marido...

Encontrei outra pessoa. As respostas vieram: quero, quero junto, quero muito, quero, mas preciso que queiram pra que eu tenha coragem, eu ainda sou aquela pessoa que não queria, só que querendo, mas minha vida é direcionada ao plano anterior. Ouvi o título de que "merecedora" de ser mãe de um filho dele e isso mexeu de uma forma que ele nunca vai entender. Mas o certo é que algo já tinha mudado.

A relação não foi essas mil maravilhas o tempo todo. Muito de muita coisa que não achamos facilmente em um par e pouco entendimento para questões básicas. Idas e vindas. E numa das idas, eu: grávida. Foi desesperador, o medo do mundo todo. Era o medo das condições, do apoio para encarar aquela situação que não precisava ser lamentável - poderia ser motivo de comemoração, mas na hora não foi. Era o medo de perceber outra decepção na relação quanto à aceitação do fato, que acabou sendo concretizado. Mas enfim, medos passados, etapas vencidas (talvez ainda hoje não superadas), mas chegamos ao ponto onde a gravidez começou a fazer parte da realidade.

Deste momento em diante, você não é a mais a mesma. Eu, pelo menos não fui. Primeiro, porque eu não me via mais como um indivíduo - me via como dois. E sua vida se adéqua mais à necessidade do outro indivíduo do que às suas. Aliás, as suas passam a ser as mesmas, porque é ele é você. Entrei em outro espírito e comecei a comemorar sozinha, internamente, todos os dias, por Gael. É incrível como deixar de ser um indivíduo por conta de um filho me trouxe apenas e somente prazer. Nunca tive medo de não poder dormir mais a noite toda, ou de sair em liberdade, ou de nada que indicasse mudança de rotina. Os medos passaram a ser outros: sustentar, educar, direcionar, cuidar e, novamente, educar, educar, educar.



Meu processo de gestação passou a ser melhor ainda quando comecei a frequentar rodas sobre humanização do nascimento e meu namorado iniciou o processo dele de aceitação da gestação fazendo parte dos encontros também. Desenhamos um mundo comum dentro dessa bagunça de acontecimentos que não se adequavam aos planos dele. As rodas eram algo dentro da gravidez que podia trazer o assunto com alguma afinidade, carinho e interesse. Na verdade, vivi praticamente sozinha as sensações da gravidez, não tive, no nível de intimidade que eu gostaria, alguém para compartilhar os sentimentos, medos, angústias, felicidades ao longo da gestação (não desmerecendo mãe, amigos..). Ele chegou no segundo tempo, participou do que foi chamado, mas não se integrou ao processo até que começamos a falar de parto - humanizado.

Chegou o parto e o processo foi muito bom. A partir do momento que começamos a viver a dois (três) tive as melhores sensações de minha vida. A ideia, mesmo que ilusória, de um núcleo familiar, de se ter algo alí de construção sua é de um prazer indescritível (não é minha realidade). Mas o que interessa é que tudo isso me mudou. Mudou minhas perspectivas, meus planos, meus desejos pessoais que não são mais tão fundamentados em minha liberdade, mas na minha vontade de construir coletivos, família, valores, princípios que possam fazer parte da educação de Gael e da minha também. Construir passou a ser um objetivo de vida importante (família, núcleo, vínculos).

O nascimento de Gael é um capítulo à parte. Tenho que dizer apenas que contei com a melhor equipe que poderia contar e que vivi com meu namorado o melhor dos nossos momentos. Me apaixonei por ele a cada segundo neste processo e projetei todos meus melhores sonhos com a pessoa que estava comigo naquele momento. E Gael chegou.

Ser mãe pra mim começou com um senso de responsabilidade. Um indivíduo "seu", pra você cuidar, mas que você não conhece muito bem. Mas a vontade enorme de fazer o melhor pra ele, por ele e por você mesma, vem junto. Não conseguia distinguir no primeiro momento este amor separado do senso responsabilidade. Era muita informação e acho que não estava relaxada apenas para curtir, mas logo, muito logo, vestida de minha função de mãe, mas sem nada dever a ela, sem querer ser nada ou corresponder a nada, pude experimentar somente o prazer da companhia daquele novo indivíduo e do prazer - que eu acho quase impossível pra percepção masculina (pelo menos nas experiências que já compartilhei) - de se entregar a alguém inteiramente, na vontade de fazer o melhor por alguém que não seja você mesmo.

Gael chegou e o que posso dizer é que ele faz eu refletir cada uma das minhas atitudes, o tempo inteiro. A vivência que ele trouxe me tirou de "locais cômodos" que já incomodavam há bastante tempo, mas que não traziam a urgência de mudança. Ele me trouxe a quem eu sou em princípios, pois tem a ver com como eu quero me apresentar a ele... crua, despida, básica, relevando o que tem importância apenas. A necessidade é de se ajustar as condutas àquilo que sabemos que é certo, que sempre achamos que deveríamos estar fazendo mas que não fazemos porque é "assim mesmo", porque a rotina cobra, porque a sociedade cobra...

Hoje, eu e Gael somos suficientes pra mim. Claro que contamos com muitos apoios e participação, mas a ideia é de que somos um organismo só e necessário para a sobrevivência de ambos. E por puro prazer. 


Engraçado que nenhum dos problemas que pensamos que enfrentaremos ao nos tornarmos mães são problemas reais quando somos mães (minha experiência). (Ex.: Não poderei viajar quando quiser, não poderei dormir a noite toda, não poderei acordar tarde, não poderei gastar meu dinheiro com bobagens..) Eu deixaria de comprar qualquer dessas coisas para ser mãe, ou de fazer qualquer viagem, sem nenhum pesar. Minhas viagens hoje são pensadas com ele, no que eu quero mostrar, no que eu quero que ele conheça - e como eu quero. E são os planos que mais me dão prazer. Não tem a mínima graça pensar hoje em virar a noite na rua e qualquer pequena saída sem a companhia dele me faz ficar com o coração longe. Nem entro no quesito trabalho.

Ser mãe tem sido trabalhoso e tiro meu chapéu pra quem tem dois, tem gêmeos...  tenho outros filhos de outras espécies e me culpo por não conseguir dar a merecida atenção a eles, mas foco dia a dia na interação de todos para facilitar o meu dilema, e, por essas e outras, é que preciso sempre de apoio.

Não dirijo sozinha com ele ainda, não saio com ele sozinha também pois não consigo nem fazer xixi se não houver alguém pra me ajudar. Tarefas comuns passam a exigir uma estrutura que não é fácil, mas estar presente nas descobertas diárias não tem preço, vale qualquer hora de sono perdida, faço questão de estar em todas que eu puder estar.

Tenho alguns momentos específicos guardados para compartilhar com Gael quando ele puder entender alguma coisa. Alguns deles sobre amamentação. Sobre os sorrisos durante minhas brincadeiras enquanto amamento, sobre algumas manias, posições e, principalmente, sobre olhares que atravessam todas as minhas barreiras, construções, palavras, racionalidades e chegam no coração completamente despido. Esses olhares de Gael que me dizem tudo que eu jamais conseguirei ouvir com meus ouvidos, que jamais conseguirão falar todo o nosso diálogo e entendimento, que ninguém no mundo poderá traduzir, explicar...

É muito amor.


Maína Marinho Diniz

2 comentários:

Klaudia Bitencourt disse...

Realmente Maína, ser mãe supera qualquer expectativa! E esse amor vem das entranhas de nosso mais recôndito ser feminino... Também costumava dizer que não queria nada disso, mas foi mais forte do que eu! E não existem palavras para expressar o quanto é maravilhosa essa sensação: MÃE.

Klaudia Bitencourt disse...

Realmente Maína, ser mãe supera qualquer expectativa! E esse amor vem das entranhas de nosso mais recôndito ser feminino... Também costumava dizer que não queria nada disso, mas foi mais forte do que eu! E não existem palavras para expressar o quanto é maravilhosa essa sensação: MÃE.

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